Tem uma cena que se repete no consultório. A mulher conta uma conquista real, grande, difícil. Eu digo que foi impressionante. Ela sorri educadamente e emenda: foi sorte, foi a equipe, foi mais fácil do que parece. O elogio bateu na parede e voltou.
Autoestima não é opinião externa
A gente cresceu ouvindo que autoestima se constrói com validação. Então acumula elogio, cargo, número, seguidor — e continua se sentindo insuficiente. O elogio não entra porque ele bate numa estrutura interna que já decidiu, muito antes, o que você vale. Enquanto essa estrutura não for revista, todo elogio é água em vidro fechado.
“Autoestima não é achar que você é ótima. É parar de precisar de prova.”
O trabalho, então, não é colecionar mais provas. É investigar quem escreveu a régua. Quase sempre foi alguém que já não está mais aqui, dizendo algo que você tinha seis anos de idade para entender.

